Nota do Autor: Depois de muito tempo com isso morto, vim trazer um pouco do meu sangue, e desperta-lo do torpor que já dura mais de um ano.
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Capitulo 1 – Chamado de Sangue.
Seus olhos abriram, estava em seu caixão dentro da Igreja do Sabá. Com um rápido movimento das mãos Étrios abre a tampa do pesado caixão de madeira. Um ligeiro cheiro de poeira chegou a suas narinas, agora mortas. O Sabá não era conhecido por sua higiene. Levantou, tinha assuntos pendentes. Passou a mão em suas vestimentas para desamassá-las enquanto andava apressadamente pelos corredores da Igreja mal iluminada. Puxou seu celular de um dos bolsos de sua vestimenta, hoje antiquada. E começou a ligar para os amaldiçoados que compartilhavam dos mesmos prazeres e terrores da noite.
Sentiu algo em sua bolsa vibrando, devia ser seu celular. Tomou a ultima gota de sangue do pobre jovem que achou uma ótima idéia ir para a casa da sedutora mulher. Pediu para seu lacaio que se livrasse do corpo e que depois limpasse o sangue que caiu em algumas partes do banco traseiro do seu carro esportivo. Abriu a bolsa e tirou seu celular, que ainda vibrava incessantemente. Era Étrios. O que estaria querendo esse vampiro nojento? Não gostava do que ele fazia com o corpo humano. Ela atendeu com uma voz de desdém.
- Lili falando.
- Boa noite Lili, eu preciso de você para uma missão. – Étrios falava como se estivesse ocupado com outra coisa.
- Me de um bom motivo para ir. Nas ultimas vezes que fui a uma missão com você, minha casa foi completamente arruinada. Lembra-se?
- É apenas uma reunião de noites antigas. Sei que tu és tão solitária quanto eu. Como todos nós, malditos da noite.
- Talvez eu apareça. Onde e quando será a reunião?
- Na minha casa amanha ao cair do sol.
Lili estremeceu. Fazia quase dois anos que não entrava na igreja do Sabá. Desde a morte de sua criadora, afastara-se dos negócios no Sabá. Melhor para outros vampiros que adoravam as intrigas políticas da seita.
Edward entrava em uma loja da Orizon, precisava comprar um celular novo, seu ultimo celular fora destruído por um lobisomem mal humorado. Usava um RG falso, obviamente. Não poderia dizer que estava vivo a mais de três séculos. Ficara feliz por ter barganhado uma cirurgia facial com Étrios, seu rosto estava perfeito. Atraia a atenção de todos os presentes. Estava vestido como suas presas: Calça jeans, uma camisa social preta, e uma inovação dos sapatos que adorara, era um sapato, mas era camurça clara. Chamavam de sapatenis, muito mais confortável. Não teve problemas em conseguir um novo aparelho, já que o numero era o mesmo.
Sentia sede. Tantos humanos, tantas presas. Todos em um só lugar. Sabia que seria uma tremenda burrice. Deixou o lugar. A loja ficava dentro de um Shopping Center. Onde haveria de se alimentar essa noite? Depois de alguns anos, aprendeu a ser discreto quando se alimentava. Voltou para sua casa. Hoje mataria, não que fosse um tremendo incomodo para ele. Vestiu-se mais apropriadamente, sua tática sempre funcionara. Trocou a calça jeans por uma social, colocou um terno preto e um sapato também preto. Considerava-se o vampiro selvagem mais estranho do mundo, seus irmãos peregrinos não faziam gostavam do seu jeito de vestir, de falar. Edward não gostava muito de animais, coisa inaceitável em seu clã. Pegou um revolver. Saiu.
Fenrir contava as notas de dólar que ganhara de um otário que pensou que poderia ganhar dele em um racha. A noite mal havia começado e o outro vampiro já estava entediado. Só a maconha trazia algum conforto. Conversaria com seu fornecedor, as vendas iam bem. Alguns adolescentes de uma escola próxima encontraram na erva uma fuga para as complexas provas do Ensino Médio. Acendeu um cigarro de maconha e deu a partida no seu Civic, digamos que “herdado”. Andava pelas ruas de Nova Iorque apenas para não ficar sem fazer nada. Um som conhecido saiu do seu bolso e chegou a seus ouvidos. Com a mão direita, pegou o celular e abriu-o habilmente, levando-o a orelha.
- Fala.
- Fenrir? Étrios.
- Fala garoto – tragada- Tudo certinho?
- Estou bem. Quero que você venha para a minha casa.
- Ah, vou ver se não tenho nenhum compromisso. Quando?
- Amanha ao anoitecer.
- Quem mais ce chamou?
- Lili, você, ainda chamarei Edward, e infelizmente, Hilário.
- Só o povo bonito, O.K. Estarei lá.
Esperaria, amanha ao anoitecer. Mais de um ano sem contato e de repente ele volta com essa conversa de que quer reunir de novo o antigo peck. Sabia que havia algo de errado. Gostava disso. Acelerou.
- Como assim você enfiou a faca no peito dela? Ficou louco?
Silencio seguido de uma risada abafada.
- É obvio que ele esta louco. – Disse uma voz muito baixa, quase inexistente.
- Mas eu queira vê-la sangrando. Foi muito legal. – Disse uma terceira voz, estridente e assustadoramente alegre.
O tamanho do quarto era impossível de ser descrito, pois as paredes se perdiam na escuridão. Uma luz misteriosa envolvia os três seres que estavam sentados em cadeiras posicionadas nos lados de uma mesa triangular. A luz mudava de cor dependendo de quem estava falando. Os três eram exatamente iguais, mas vestiam-se de maneiras extremamente diferentes. O primeiro, que estava nervoso, ganhava uma tonalidade rosa enquanto falava, vestia-se com uma camisa branca, sem mangas, que ficava apertada contra o corpo. Seu cabelo preto estava todo jogado para um lado, dando a ele um aspecto metrosseuxual, como uma franja. Rodando no sentido horário, estava sentado de maneira descontraída o alvo das acusações. Com um largo sorriso, cabelos bagunçados, algumas mechas espetadas por causa de gel, outros lisos. Vestia-se com uma camiseta do anime “One Piece”. Quando falava tudo era um arco-íris, diversas cores coloriam os três solitários. Por ultimo o terceiro. Agachado na cadeira, com o rosto entre os joelhos, abraçando as pernas, cabelos caídos sobre os olhos, como se nunca tivesse encarado alguém nos olhos em toda sua vida. Vestia-se com uma camiseta preta completamente rota, uma calça preta também podia ser vista devido à posição das pernas.
- Você sabe que não pode sair por ai matando, com a homossexualidade na moda, por que matar? – Disse o homem bem vestido, com um sorriso malicioso.
Junto com um turbilhão de cores, veio a risada do homem de cabelos estranhos.
- Um viado será sempre um viado. Você sabe que precisamos de sangue para sobreviver, que tomar sangue é o ápice do prazer dos vampiros. Mas mesmo assim, prefere sair dando essa bunda linda, afinal de contas, ela é igual a minha.
O terceiro ente na sala levanta-se. Com a mesma cara de morto e salta em direção à escuridão. Um segundo depois os outros dois escutam o telefone tocando. Correm para a direção do amigo. Em um tempo irrelevante, os dois chegam a uma ampla sala, iluminada por um lindo balaustre. No centro da sala, um pequeno criado-mudo. Um telefone tocando, o homem do cabelo escorrido no rosto já erguia o telefone do gancho.
- Como sabia que o telefone iria tocar? – Perguntou o elegante homem.
- Olhos do Caos.
Hilário piscou. Estava em seu quarto, havia dormido excessivamente. Segurava seu celular que piscava “Étrios”. Atendeu.
Após alguns segundos de silencio, Étrios decidiu iniciar a conversa.
- Hilário? Qual deles? O solitário?
- Todos nós somos, mas, sim. Sou eu.
- Certo, estou marcando uma reunião de nosso antigo grupo. Gostaria que comparecesse.
- Local e horas?
- Minha casa, ao por do sol.
- Estarei lá.
Desligou o celular. Voltaria a dormir, seu amigo sorridente ainda tinha muitas coisas a explicar.
Edward pagou um táxi para levá-lo aos bairros mais violentos da cidade. Sorria, alimentar-se-ia essa noite.
- Mais se vai assim? Todo arrumado pras bocas? – Perguntou o taxista perplexo.
- Sei o que estou fazendo, apenas leve-me.
A conversa encerrou.
Edward pagou o taxista, que foi embora rapidamente. Começaria seu plano. Viu seu reflexo em uma vitrine. Armou sua melhor cara de “Grã-fino perdido” e entrou na favela.
John, ou apenas J para os amigos, teve um dia difícil. Seus furtos, magros, quando não eram frustrados. Já estava pensando em ir para casa quando viu um homem alto de cabelos castanhos longos subindo a rua. Estava claramente perdido, bem vestido, talvez um crente. Presa fácil. Sacou seu trinta e oito e começou a andar furtivamente por trás do homem que se arrependeria por ter entrado na sua rua. Não demoraria muito para ele pensar o contrario.
O vampiro sabia que estava sendo perscrutado. Os humanos não foram feitos para as sombras ao contrario dos vampiros. Andou mais alguns metros quando ouviu uma voz com sotaque muito forçado, característico dos moradores daquela área.
-Para ai o playboy.
- Só quero encontrar a casa da minha tia. – Mentiu o vampiro esforçando-se para manter a feição amedrontada. Sangue havia sido gasto para tirar sua palidez temporariamente.
- E eu quero me encontrar com sua carteira.
Edward começou a correr, mas não muito rápido. Poderia despistar o mortal facilmente, se assim o desejasse. Procurava uma viela. Depois de um minuto fugindo, com seu perseguidor no calcanhar, encontrou o beco, virou-se e entrou no beco, não precisava mais manter sua pele ruborizada. O destino dele já estava traçado.
Sorte! Foi o que pensou J quando o playboy entrou na viela, sem saída. Encheria seus bolsos aquela noite. O grã-fino encostou a mão na parede e se virou, não tinha mais o medo estampado no rosto. Estava sorrindo! O retardado estava sorrindo! Daria motivos para que ele não sorrisse mais, apontou a arma para o rosto do idiota.
- Ce ta fudido! Passa logo a grana e não te meto uma bala no meio da testa.
- Achas que pode me matar com essa simples arma? Hoje, não vou morrer, mas não me asseguro de sua integridade física. – Disse Edward calmamente, mostrando seus caninos, que se alongavam,
Um disparo, matara aquele maldito, quem ele pensa que é para chegar tentar botar moral nele? O tiro acertara o maldito no meio da testa. A adrenalina injetada na sua corrente sanguínea começava a fazer efeito. Respiração acelerada, suor. Mas o que estava acontecendo? O playboy não sangrava. Muito pelo contrario, ele se levantava, sorrindo. O filho da puta ainda estava rindo da sua cara. Tentou atirar de novo, mas não foi rápido o suficiente. Um tiro acertara-lhe o peito, sangrava. Tentou fugir, mas fortes mãos o seguraram pelo cabelo, seguido de perto pela incisão dos enormes caninos em seu pescoço, a sensação era completamente estranha, sentia se bem com o sangue drenado. Seu pulmão falhara pela primeira vez em toda sua vida. O grande J estava morrendo, sabia disso. O coração estava parando de bater, a sensação confortante havia dado lugar ao desespero. Não queria morrer agora, mas não tinha escolha, seu coração acabara de parar, seus olhos cansados fecharam-se.
Edward lambeu a ferida causada pelos seus caninos, fechando a ferida. Tudo perfeito. Causa Mortis: Hemorragia devido a uma bala. Havia bastante sangue no chão, não havia bebido-o todo. A bala da arma era agora expelida de sua testa, que estava perfeita novamente. Saciado, Edward começou a transformar-se virou um pássaro e saiu voando, deixando para trás mais um assassinato. Mais uma alma que teve sua vida encurtada por ele.
Uma hora depois, o vampiro chegou a sua casa, de tamanho médio, mas majestosa. Novamente pensou que não era igual a seus irmãos, um leve sorriso. O celular exibia uma chamada não atendida. Edward viu o nome de Étrios e ligava para ele.
- Étrios.
- Se não é o vampiro mais fraco com que me associei, diga o que queria de mim depois de tanto tempo.
- Meu inimigo, que bom falar com você novamente. Estou marcando uma reunião com nosso antigo grupo. Amanha ao cair da noite. Você sabe onde será.
- Você nunca há de ser original não é? Sempre sua igreja decadente.
- E você sabe como me irritar pequeno animal, até amanha.
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O que fez Étrios reunir todo o grupo? Não percam a próxima aventura desse antigo grupo de vampiros.
Já devem ter notado, talvez pela diminuição drástica de erros ortográficos, que não se trata do mesmo escritor. Étrios foi atingido por um enorme bloqueio de criatividade. Espero que gostem das minhas historias, pelo menos metade do que gosto das historias escritas por Étrios.
Atenciosamente
Sonata, Edward

Muito foda velho, bateu AQUELA saudade de jogar com esse nosso antigo pack xD
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